Atingir o desejado e desistir...
Quem pode saber se o que eu quero é tudo? Ou é mais alguma coisa?
Preciso de algo... agora... então...
Me dê teu cabelo... teu cheiro, teu corpo!
Me dê um pouco de ti, que já estou ficando louco!
Preciso de ti, mas só pra saciar-me... apenas isso. E não me julgue por nada disso!
Te quero por algumas horas, poucas, é verdade... mas não posso, não devo possuí-la.
Mas talvez em meus pensamentos... ai sim pode ser minha e eu não serei seu!
Não quero ser seu, e acho que nem quero você pra mim. É só emprestado.
Por algumas poucas horas, é verdade, mas mesmo assim quero.
Você já foi minha e nem sabe disso... nem nunca saberá!
E disso não precisa se envergonhar, muito menos se orgulhar...
Meus propósitos não são nada nobres, disso tenha certeza.
A instituição remonta ao final do século XIX, quando escritores e intelectuais brasileiros desejaram criar uma academia nacional, nos moldes da Academia francesa.
A iniciativa foi tomada por Lúcio de Mendonça, concretizada em reuniões preparatórias que se iniciaram em 15 de dezembro de 1896, sob a presidência de Machado de Assis (eleito por aclamação), na redação da Revista Brasileira. Nessas reuniões foram aprovados os Estatutos da Academia Brasileira de Letras, compondo-se o seu quadro de 40 membros fundadores.
Sem possuir sede própria nem recursos financeiros, as reuniões da Academia foram realizadas nas dependências do antigo Ginásio Nacional, no Salão Nobre do Ministério do Interior, no salão do Real Gabinete Português de Leitura, sobretudo para as sessões solenes. As sessões comuns sucediam-se no escritório de advocacia do Primeiro Secretário, Rodrigo Octávio.
A partir de 1904, a Academia obteve a ala esquerda do Silogeu Brasileiro, um prédio governamental que abrigava outras instituições culturais, onde se manteve até à conquista da sua sede própria.
Em 1923, graças à iniciativa de seu presidente à época, Afrânio Peixoto, e do então embaixador da França, Raymond Conty, o governo francês doou à Academia o prédio do Pavilhão Francês, edificado para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, erguido pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel.
Essas instalações encontram-se tombadas pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC), da Secretaria Estadual de Cultura, desde 1987. Os seus salões funcionam até aos dias de hoje abrigando as reuniões regulares, as sessões solenes comemorativas, as sessões de posse dos novos acadêmicos, assim como para o tradicional chá das quintas-feiras. Podem ser conhecidas pelo público em visitas guiadas, ou em programas culturais como concertos de música de câmara, lançamento de livros dos membros, ciclos de conferências e peças de teatro.
A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a "cultura da língua nacional", sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como "imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros.
À semelhança da Academia francesa, o cargo de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema "Ad immortalitem", e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo confrade, através do voto secreto.
Os eleitos tomam posse em sessão solene, nas quais todos os membros vestem o fardão da Academia, de cor verde-escura com bordados de ouro que representam os louros, complementado por chapéu de veludo preto com plumas brancas. Nesse momento, o novo membro pronuncia um discurso, onde tradicionalmente se evoca o seu antecessor e os demais ocupantes da cadeira para a qual foi eleito. Em seguida, assina o livro de posse e recebe das mãos de dois outros imortais o colar e o diploma; a espada é entregue pelo decano, o acadêmico mais antigo. A cerimônia prossegue com um discurso de recepção, proferido por um confrade, referindo os méritos do novo membro.
Instituição tradicionalmente masculina, a partir de 4 de novembro de 1977, aceitou como membro Rachel de Queiroz, para quem foi desenhada uma versão feminina do tradicional fardão: um vestido longo de crepe francês verde-escuro, com folhas de louro bordadas em fio de ouro.
Para cada uma das quarenta cadeiras, os fundadores escolheram os respectivos patronos, homenageando personalidades que marcaram as letras e a cultura brasileira, antes da fundação da Academia.
Foi uma inovação. A Academia francesa, que servira de modelo, instituíra as Cadeiras, mas atendendo apenas a uma numeração de 1 até 40. A escolha desses Patronos deu-se de forma um tanto aleatória, com sugestões sendo feitas pelos próprios Imortais.
Quem gostaria de saber um pouco mais sobre a ABL, eu recomendo um livro interessante do Jô Soares, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras.O livro se passa pelo Rio de Janeiro dos anos 20, mostrando algumas detalhes e curiosidades, na época, sobre a Casa de Machado de Assis. O livro não é o melhor do mundo, mas você não vai perder tempo lendo-o. E para aqueles que não se interessarem pela Academia, o livro também é um romance cômico-policial razoável.
1936 – Começa a Guerra Civil Espanhola, após um fracassado golpe de um setor do Exército, liderado pelo general Francisco Franco, contra o governo republicano.
De um lado se posicionaram as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha: Exército, Igreja Católica e proprietários de terra. Do outro, a Frente Popular que formava o governo da Segunda República, representando os sindicatos, partidos de esquerda e partidários da democracia.
O conflito foi considerado uma preestreia da Segunda Guerra Mundial, prova de força entre países que disputavam a hegemonia mundial.
A Alemanha nazista e a Itália fascista apoiavam o golpe do general Franco, enquanto os republicanos foram apoiados pela União Soviética e, sobretudo, pelas Brigadas Internacionais, formadas por 38 mil homens, voluntários esquerdistas e comunistas que vieram de mais de 50 países.
Do Brasil, o voluntário mais famoso foi Apolônio de Carvalho.
Uma das mais violentas e famosas batalhas acontecidas nesse período foi o bombardeio aéreo alemão sobre a cidade de Guernica, tema de uma das mais famosas obras do pintor Pablo Picasso.
Em janeiro de 1939, as tropas do general Franco entraram em Barcelona e, no dia 28 de março, Madri se rendeu aos militares, depois de ter resistido por quase três anos a poderosos ataques aéreos, de blindados e de tropas de infantaria.
Com a vitória completa dos nacionalistas em abril de 1939, Franco se converteu em chefe de Estado, do governo e do Exército e eliminou toda a resistência militar.
Prosseguiu com a repressão, a tortura e os fuzilamentos. Implantou um sistema político repressivo e autoritário, com apoio da Igreja e do Exército. Todos os partidos políticos foram proibidos.
Após a morte do ditador, em 1975, a Espanha voltou a ser uma monarquia.
O escolhido por Franco, Juan Carlos de Borbón, assumiu o trono, e a Espanha passou a ser uma monarquia constitucional, com o regime democrático solidamente implantado no país.
Não conseguia mais ler. Seus pensamentos não estavam mais ali. Todos em casa já dormiam, exceto, é claro, ele. Flávio passara a tarde dormindo e por isso estava sem um pingo sequer de sono.
Sentia-se só, ali naquela mesa da sala tentando ler. Gostava de ler, sempre gostou, mas não conseguia mais. Guardou o livro que estava lendo – O Lobo do Mar, de Jack London – em sua gaveta.
Depois se flagrou pensando em Fernanda, imaginando o que ela estava fazendo naquele instante. Já era bem tarde – Meia noite, talvez mais – provavelmente dormindo. Pensou nos belos e perfeitos olhos de sua amada, seu sorriso tímido, seu cabelo... Ah, que saudade ele sentia daquele cabelo! Quantas vezes ele havia passado a mão por eles!
Mas... E se ela não estivesse dormindo? Se estivesse, por coincidência ou por obra da Divina Providência, também pensando nele?! Que bom seria se ele a tivesse em seus braços naquele momento... O que ambos diriam um ao outro? Então lhe veio um pensamento maluco: Já que ambos estavam pensando um no outro – assim ele imaginava, seria possível encontrar-se naquele instante? Talvez por algum poder místico de um desses santos protetores de casais apaixonados.
Então se lembrou da lenda do Conde Drácula, num livro que lera uma vez. O sombrio Conde, pretendendo apoderar-se de uma de suas vítimas, materializou-se, por meio de uma densa névoa, no quarto da donzela e tomando-lhe a vida, cravando-lhe as presas no pescoço. Ah se ele pudesse materializar-se da mesma forma no quarto de Fernanda! Cravar-lhe-ia não dentes, mas beijos apaixonados em sua boca e seu pescoço! Para evitar uma possível fuga, colocaria seu braço em volta daquela cintura tão cobiçada pelos homens e tão invejada pelas mulheres.
Faria declarações vivas de amor e lealdade ao pé do ouvido, temendo ser descoberto, assim como no livro de Stoker.
Mas o que o movia, obviamente, não era sede de sangue, e sim de amor! Uma semana sem vê-la... Que saudade violenta! Por que não se ver todos os dias? Não beijá-la sempre que quisesse? Flávio perdia-se em tais indagações.
Talvez assim, vendo-se tão pouco, uma ou duas vezes por semana, o encontro fosse mais esperado! Os beijos, irmãos separados pelo acaso, se encontrariam mais apaixonados... Talvez... Talvez...
"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda."
Filho de Ernesto Cony Filho, jornalista, e de Julieta de Moraes, Carlos Heitor Cony nasceu no dia 14 de março de 1926 na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Lins de Vasconcelos, zona norte da cidade. Foi o terceiro dos quatro filhos do casal: Giovane Alceste (falecido em 1920), José Heitor, Cony e José Carlos.
Quatro anos depois muda-se para a cidade vizinha de Niterói - RJ, onde residiria por dois anos. Tido como mudo pela família, somente aos cinco anos pronuncia suas primeiras palavras. O fato ocorreu em virtude de um susto que levou com o barulho de um hidroavião que realizou um vôo rasante na praia de Icaraí, naquela cidade. Para evitar maiores constrangimentos ao menino, sua família decide educá-lo em casa.
Em 1934, já de volta ao Rio, faz sua primeira comunhão e passa a ser ajudante de missa na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no bairro de Vila Isabel. Sua dificuldade com a dicção das palavras - principalmente trocando o "g" pelo "d" - fazia com que fosse alvo das brincadeiras de seus amigos. Resolve, então, escrever inúmeras vezes a palavra fogão em seu caderno. Mostra aos amigos e, como eles não riram, entendeu que para não se tornar motivo de chacota deveria dedicar-se à palavra escrita.
Aos dezoito anos manifesta o desejo de tornar-se padre. Seu pai o prepara para o exame de admissão e, após aprovado, ingressa no Seminário Arquidiocesano de São José, em Rio Comprido - RJ, no dia 3 de março de 1938.
Livra-se definitivamente de seu problema da fala, em 1941, após uma operação realizada pelo médico Pedro Ernesto do Rego Batista, ex-prefeito do Rio de Janeiro.
Deixa o seminário em outubro de 1945 e ingressa, no ano seguinte, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que abandona pouco depois.
Em 1947 surge a oportunidade de cobrir as férias de seu pai no Jornal do Brasil, então um grande diário da cidade. Para garantir seu ganha-pão, consegue nomeação e torna-se funcionário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
No ano seguinte entra para o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), na arma de Infantaria, de onde sairia dois anos depois.
Em 1949 casa-se com Maria Zélia Machado Velho, mãe de suas duas filhas: Regina Celi (1951) e Maria Verônica (1954). Esta é a primeira das seis uniões conjugais de Cony.
Começa a trabalhar como redator na Rádio Jornal do Brasil, em 1952.
Influenciado por Jean Paul Sartre, filósofo e autor francês, escreve "O Ventre". Em 1956 concorre ao Prêmio Manuel Antônio de Almeida (Romance), promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Austregésilo de Athayde, Celso Kelly e Manuel Bandeira, que compuseram a comissão julgadora, foram unânimes em dizer que o romance era "muito bom", mas não poderiam premiá-lo por se tratar de uma obra forte demais para vencer um concurso oficial.
No ano seguinte, irritado com a atitude da comissão julgadora, inscreve-se novamente com o romance "A verdade de cada dia", escrito em apenas nove dias. Ao trabalho, analisado por Carlos Drummond de Andrade e Austregésilo de Athayde, é outorgado o Prêmio Manuel Antônio de Almeida.
"Tijolo de segurança" é o trabalho inscrito por Cony para concorrer ao mesmo Prêmio no ano seguinte. É declarado novamente vencedor, tendo a comissão julgadora sido constituída por Rachel de Queiroz, Antônio Callado e Antônio Olinto. A Editora Civilização Brasileira, de propriedade de Ênio Silveira, publica "O Ventre". Firma, nessa ocasião, contrato com o escritor para a entrega regular de obras de ficção, procedimento que não era freqüente à época.
Em 1959 lança "A verdade de cada dia" e escreve seu quarto romance, "Informação ao crucificado".
Vai trabalhar no Correio da Manhã, jornal de renome no país, como copidesque, em 1960. No ano seguinte, revezando com Octávio de Faria, assina a coluna "Da arte de falar mal". Esses artigos transformaram-se em livro de crônicas, editado em 1963 com o mesmo título da seção. Lança "Tijolo de segurança".
Em 1961 é publicado "Informação ao crucificado" e, em 1962, lança seu quinto romance, "Matéria de memória".
Passa a escrever coluna no jornal Folha de São Paulo, em 1963, revezando com Cecília Meireles.
Eclode a revolução, em 1964, e o escritor continua com a inspiração a todo vapor: lança "O ato e o fato", crônicas escritas na imprensa; o romance "Antes, o verão", e um conto sobre a luxúria para ser incluído na coletânea "Os sete pecados capitais", editado naquele ano, com a participação de Otto Lara Resende, José Conde, Lygia Fagundes Telles, Guimarães Rosa, Mário Donato e Guilherme Figueiredo.
Em 1965 escreve uma crônica atacando o Ato Institucional nº. 2. Tal fato gera um atrito entre a direção do jornal Correio da Manhã e a redação. Cony demite-se. É convidado pela TV Rio para escrever uma novela sobre a baixa classe média do Rio, ex-capital do país. O programa foi ao ar entre março e abril daquele ano, contando com Eva Wilma e John Herbert à frente do elenco e a direção de Antonino Seabra. Após 37 capítulos, problemas com a censura fazem com que o escritor seja substituído por Oduvaldo Viana. É preso, juntamente com Mário Carneiro, Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade, o embaixador Jaime Azevedo Rodrigues, o diretor teatral Flavio Rangel e os jornalistas Antônio Callado e Marcio Moreira Alves, quando participava de uma manifestação em frente ao Hotel Glória, no Rio de Janeiro. O grupo, que ficou conhecido como "Oito do Glória", foi detido pela Polícia do Exército, em cujo quartel ficou prisioneiro. Esta seria a primeira das seis prisões do escritor por motivos políticos. Mesmo assim, lança "Posto Seis", crônicas, e "Balé branco", romance. Participa da coletânea "Os dez mandamentos" com o conto "Amar a Deus sobre todas as coisas".
No ano seguinte participa da coletânea "64 D.C." (o título, veladamente, dizia respeito a 64 Depois de Castello, primeiro militar a governar o país após a revolução de 1964).
Vai a Cuba, em 1967, onde fica por quase um ano. Participa, em Havana, como membro do júri do concurso promovido pela Casa de las Américas. Lança, no Brasil, seu oitavo romance, "Pessach:a travessia". Seu romance "Matéria de memória" começa a ser adaptado para o cinema por Paulo Gil Soares, projeto que só seria terminado em 1968 por Fernando Coni Campos. O filme, com o título de Um homem e sua jaula, teve no elenco Helena Ignez e Hugo Carvana.
Retornando de Cuba, em 1968, é preso ao pisar em solo brasileiro. A convite de Adolpho Bloch, passa a trabalhar nas revistas do Grupo Manchete. Publica "Sobre todas as coisas", contos. Em 1978 essa obra seria reeditada com o título "Babilônia!, Babilônia!". Volta a ser preso pelo regime militar no dia 13 de dezembro, data da decretação do Ato Institucional nº. 5. Fica detido quase um mês. Seu romance "Antes, o verão" é adaptado para o cinema por Gerson Tavares. Nos papéis principais, Norma Benguell e Jardel Filho.
A convite das Edições de Ouro, do Rio de Janeiro, inicia um longo trabalho de adaptação de clássicos da literatura internacional, em 1970.
Em 1971 escreve seu nono romance, "Pilatos".
Lança, pela Bloch Editores, que passou a publicar seus textos de não-ficção, "Quem matou Vargas?", biografia do ex-presidente do Brasil inspirada em série que escrevera para a revista Manchete em anos anteriores, em 1972.
No ano seguinte nasce André Heitor, seu filho com Eleonora Ramos. Falece D. Julieta, sua mãe.
Seu romance "Pilatos" é publicado em 1974. Nessa ocasião, Cony declara, para espanto geral, que jamais voltaria a escrever outro romance.
"O caso Lou", livro-reportagem, é publicado em 1975. No ano seguinte, dirige "JK, a voz da História", da Rede Manchete de Televisão. Casa-se com Beatriz Lazta, sua atual mulher.
A visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, é coberta por Cony para a revista Manchete, trabalho que voltaria a fazer 11 anos depois.
Em 1981 lança novo livro-reportagem: "Nos passos de João de Deus".
Seu pai, Ernesto Cony, falece em 1985.
Baseada em projeto e sinopse de sua autoria e de Adolpho Bloch, estréia na TV Manchete, em 1989, Kananga do Japão, novela de Wilson Aguiar Filho dirigida por Tisuka Yamasaki.
Em 1993, depois de sentido afastamento, volta à imprensa diária ao assumir a coluna "Rio" no jornal Folha de São Paulo, em substituição a Otto Lara Resende, que morrera no ano anterior. Em 1996 passa a escrever aos sábado no caderno "Ilustrada" daquele diário e, também, a integrar o Conselho Editorial da Folha.
Lança seu décimo romance, em 1995, "Quase memória", editado pela Companhia das Letras. É dedicado a Mila, cadela que o acompanhava havia 13 anos. O livro foi inspirado em suas lembranças do pai.
Recebe o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra, em 1996. O livro "Quase memória" ganha dois prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro ("Melhor Romance" e "Livro do Ano - Ficção"). Publica seu décimo primeiro romance, "O piano e a orquestra", vencedor do Prêmio Nacional Nestlé de Literatura.
Em 1997 lança seu décimo segundo romance, "A casa do poeta trágico", novamente premiado com dois Jabutis, pela Câmara Brasileira do Livro ("Melhor Romance" e "Livro do Ano - Ficção").
Recebe, em Paris, a comenda da Ordre dês Arts et des Lettres no grau de Chevalier, concedida pelo governo francês, em 1998. Participa da série "O escritor por ele mesmo", do Instituto Moreira Salles, apresentando-se nos centros culturais de São Paulo e Belo Horizonte.
Por encomenda, em 1999, de sua editora Companhia das Letras, escreve "Romance sem palavras", publicado nesse mesmo ano. Apresenta-se no Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas - MG, dentro da série "O escritor por ele mesmo".
Em março de 2000 é eleito, com 25 dos 37 votos possíveis, para a cadeira número 3 da Academia Brasileira de Letras. Toma posse em maio daquele ano.
Erico Lopes Verissimo nasceu em Cruz Alta (RS) no dia 17 de dezembro de 1905, filho de Sebastião Verissimo da Fonseca e Abegahy Lopes Verissimo.
Em 1909, com menos de 4 anos, vítima de meningite, agravada por uma broncopneumonia, quase vem a falecer. Salva-se graças à interferência do Dr. Olinto de Oliveira, renomado pediatra, que veio de Porto Alegre especialmente para cuidar de seu problema.
Inicia seus estudos em 1912, freqüentando, simultaneamente, o Colégio Elementar Venâncio Aires, daquela cidade, e a Aula Mista Particular, da professora Margarida Pardelhas. Nas horas vagas vai o cinema Biógrafo Ideal ou vê passar o tempo na Farmácia Brasileira, de seu pai.
Aos 13 anos, lê autores nacionais — Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, Afrânio Peixoto e Afonso Arinos. Com tempo livre, tendo em vista o recesso escolar devido à gripe espanhola, dedica-se, também, aos autores estrangeiros, lendo Walter Scott, Tolstoi, Eça de Queirós, Émile Zola e Dostoievski.
Em 1920, vai estudar, em regime de internato, no Colégio Cruzeiro do Sul, de orientação protestante, localizado no bairro de Teresópolis, em Porto Alegre. Tem bom desempenho nas aulas de literatura, inglês, francês e no estudo da Bíblia.
Seus pais separam-se em dezembro de 1922. Vão — sua mãe, o irmão e a filha adotiva do casal, Maria, morar na casa da avó materna. Para ajudar no orçamento doméstico, torna-se balconista no armazém do tio Americano Lopes. Os tempos difíceis não o separam dos livros: lê Euclides da Cunha, faz traduções de trechos de escritores ingleses e franceses e começa a escrever, escondido, seus primeiros textos. Vai trabalhar no Banco Nacional do Comércio.
Continua devorando livros. Em 1923. Lê Monteiro Lobato, Oswald e Mário de Andrade. Incentivado pelo tio materno João Raymundo, dedica-se à leitura das obras de Stuart Mill, Nietzsche, Omar Khayyam, Ibsen, Verhaeren e Rabindranath Tagore.
No ano seguinte, a família da mãe muda-se para Porto Alegre, a fim de que seu irmão, Ênio, faça o ginásio no Colégio Cruzeiro do Sul. Infelizmente a mudança não dá certo. O autor, que havia conseguido um lugar na matriz do Banco do Comércio, tem problemas de saúde e perde o emprego. Após tratar-se, emprega-se numa seguradora mas, por problemas de relacionamento com seus superiores, passa por maus momentos. Morando num pequeno quarto de uma casa de cômodos e diante de tantos insucessos, a família resolve voltar a Cruz Alta.
Erico volta a trabalhar no Banco do Comércio, como chefe da Carteira de Descontos, em 1925. Toma gosto pela música lírica, que passa a ouvir na casa de seus tios Catarino e Maria Augusta. Seus primos, Adriana e Rafael, filhos do casal, seriam os primeiros a ler seus escritos.
Logo percebe que a vida de bancário não o satisfaz. Mesmo sem muita certeza de sucesso, aceita a proposta de Lotário Muller, amigo de seu pai, de tornar-se sócio da Pharmacia Central, naquela cidade, em 1926.
Em 1927, além dos afazeres de dono de botica, dá aulas particulares de literatura e inglês. Lê Oscar Wilde e Bernard Shaw. Começa a sedimentar seus conhecimentos da literatura mundial lendo, também, Anatole France, Katherine Mansfield, Margareth Kennedy, Francis James, Norman Douglas e muitos outros mais. Começa a namorar sua vizinha, Mafalda Halfen Volpe, de 15 anos.
O mensário “Cruz Alta em Revista” publica, em 1929, “Chico: um conto de Natal” que, por insistência do jornalista Prado Júnior, Erico havia consentido. O colega de boticário e escritor Manoelito de Ornellas envia ao editor da “Revista do Globo”, em Porto Alegre, os contos “Ladrão de gado” e “A tragédia dum homem gordo”, onde, aprovadas, foram publicadas.
Erico remete a De Souza Júnior, diretor do suplemento literário “Correio do Povo”, o conto “A lâmpada mágica”. Esse, segundo testemunhas, o publica sem ler, o que dá ao autor notoriedade no meio literário local.
Com a falência da farmácia, em 1930, o autor muda-se para Porto Alegre disposto a viver de seus escritos. Passa a conviver com escritores já renomados, como Mario Quintana, Augusto Meyer, Guilhermino César e outros. No final do ano é contratado para ocupar o cargo de secretário de redação da “Revista do Globo”, cargo que ocupa no início do ano seguinte.
Em 1931 casa-se, em Cruz Alta, com Mafalda Halfen Volpe. Lança sua primeira tradução, “O sineiro”, de Edgar Wallace, pela Seção Editora da Livraria do Globo. No mesmo ano traduz desse escritor “O círculo vermelho” e “A porta das sete chaves”. Colabora na página dominical dos jornais “Diário de Notícias” e “Correio do Povo”.
Em 1932, é promovido a Diretor da “Revista do Globo”, ocasião em que é convidado por Henrique Bertaso, gerente do departamento editorial da “Livraria do Globo”, a atuar naquela seção, indicando livros para tradução e publicação. Sua obra de estréia, “Fantoches”, uma coletânea de histórias em sua maior parte na forma de peças de teatro. Foram vendidos 400 exemplares dos 1.500 publicados. A sobra, um incêndio queimou.
Traduz, em 1933, “Contraponto”, de Aldous Huxley, que só seria editado em 1935. Seu primeiro romance, “Clarissa”, é lançado com tiragem de 7.000 exemplares.
Seu romance “Música ao longe” o faz ser agraciado com o Prêmio Machado de Assis, da Cia. Editora Nacional, em 1934. No ano seguinte, nasce sua filha Clarissa. Outro romance, “Caminhos cruzados”, recebe o Prêmio Fundação Graça Aranha. O autor admite a associação desse romance a “Contraponto”, de Aldo Huxley, o que faz com que seja mal recebido pela direita e atice a curiosidade e a vigilância do Departamento de Ordem Política e Social do Rio Grande do Sul, que chegou a chamá-lo a depor, sob a acusação de comunismo. São publicados, ainda nesse ano, “Música ao longe” e “A vida de Joana d’Arc”. Realiza sua primeira viagem ao Rio de Janeiro (RJ), onde faz contato com Jorge Amado, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade, José Lins do Rego e outros mais. Seu pai falece.
Em 1936, publica seu primeiro livro infantil, “As aventuras do avião vermelho”. Lança, também, “Um lugar ao sol”. Cria o programa de auditório para crianças, “Clube dos três porquinhos”, na Rádio Farroupilha, a pedido de Arnaldo Balvé. Dessa idéia surge a “Coleção Nanquinote”, com os livros “Os três porquinhos pobres”, “Rosa Maria no castelo encantado” e “Meu ABC”. Lança a revista “A novela”, que oferecia textos canônicos ao lado de outros, de puro entretenimento. Nasce seu filho Luis Fernando. É eleito presidente da Associação Rio-Grandense de Imprensa.
O DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, exige que o autor submeta previamente àquele órgão as histórias apresentadas no programa de rádio por ele criado, em 1937. Resistindo à censura prévia, encerra o programa. Outra reação ao nacionalismo ufanista da ditadura Vargas se faz sentir na versão para didática da história do Brasil em “As aventuras de Tibicuera”.
Um de seus maiores sucessos, “Olhai os lírios do campo”, é lançado em 1938. Publica, nesse mesmo ano, “O urso com música na barriga”, da “Coleção Nanquinote”.
Erico passa a dedicar a maior parte de seu tempo ao departamento editorial da Globo, em 1939. Em companhia de seus companheiros Henrique Bertaso e Maurício Rosenblatt, é responsável pelo sucesso estrondoso de coleções como a Nobel” e da “Biblioteca dos Séculos”, nas quais eram encontrados traduções de textos de Virginia Wolf, Thomas Mann, Balzac e Proust. Mesmo assim, com todo esse trabalho, arranja tempo para lançar, ainda da série infantil, “A vida do elefante Basílio” e “Outra vez os três porquinhos”, e o livro de ficção científica “Viagem à aurora do mundo”.
Em 1940, lança “Saga”. Pronuncia conferências em São Paulo (SP). Traduz “Ratos e homens”, de John Steinbeck; “Adeus Mr. Chips” e “Não estamos sós”, de James Hilton; “Felicidade” e “O meu primeiro baile”, de Katherine Mansfield. Faz sua primeira noite de autógrafos na Livraria Saraiva.
Passa três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado americano, em 1941, proferindo conferências. As impressões dessa temporada estão em seu livro “Gato preto em campo de neve”. Ele e seu irmão Enio são testemunhas de um suicídio: uma mulher se atira do alto de um edifício quando conversavam na praça da Alfândega, em Porto Alegre. Esse acontecimento é aproveitado em seu livro “O resto é silêncio”.
A censura no estado novo continuava atenta. A Globo cria a Editora Meridiano, uma subsidiária secreta para lançar obras que pudessem desagradar ao governo. Essa editora publica “As mãos de meu filho”, reunião de contos e outros textos, em 1942.
No ano seguinte, publica “O resto é silêncio”, livro que merece críticas pesadas do clero local. Temendo que a ditadura Vargas viesse a causar-lhe danos e á sua família, aceita o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia feito pelo Departamento de Estado americano. Muda-se para Berkley com toda a família.
O Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil, confere-lhe o título de doutor Honoris Causa, em 1944. É publicado o compêndio “Brazilian Literature: An Outline”, baseado em palestras e cursos ministrados durante sua estada na Califórnia. Esse livro foi publicado no Brasil, em 1955, com o título “Breve história da literatura brasileira”.
Passa o ano de 1945 fazendo conferências em diversos estados americanos. Retorna ao Brasil.
Em 1946, publica “A volta do gato preto”, sobre sua vida nos Estados Unidos.
Inicia, em 1947, a escrever “O tempo e o vento”. Previsto para ter um só volume, com aproximadamente 800 páginas, e ser escrito em três anos, acabou ultrapassando as 2.200 páginas, sob a forma de trilogia, consumindo quinze anos de trabalho. Traduz “Mas não se mata cavalo”, de Horace McCoy. Faz a primeira adaptação para o cinema de uma obra de sua autoria: “Mirad los lírios Del campo”, produção argentina dirigida por Ernesto Arancibia que tinha em seu elenco Mauricio Jouvet e Jose Olarra.
No ano seguinte, dedica-se a ordenar as anotações que vinha guardando há tempos e dar forma ao romance “O continente”. Traduz “Maquiavel e a dama”, de Somerset Maugham.
”O continente”, primeiro volume de “O tempo e o vento”, é finalmente publicado, em 1949, recebendo muitos elogios da crítica. Recebe o escritor franco-argelino Albert Camus, autor de “A peste”, em sua passagem por Porto Alegre.
No ano de 1951, é lançado o segundo livro da trilogia “O tempo e o vento”: “O retrato”. O trabalho não tão bem recebido pela crítica como o primeiro livro.
Assume, em 1953, a convite do governo brasileiro, em Washington, E.U.A., a direção do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, na Secretaria da Organização dos Estados Americanos, substituindo a Alceu Amoroso Lima.
No ano seguinte, é agraciado com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Lança “Noite”, novela que é traduzida na Noruega, França, Estados Unidos e Inglaterra. Visita, face às funções assumidas junto à OEA, diversos países da América Latina, proferindo palestras e conferências.
De volta ao Brasil, em 1956, lança “Gente e bichos”, coleção de livros para crianças. Sua filha casa-se com David Jaffe e vai morar nos Estados Unidos. Dessa união nasceriam seus netos Michael, Paul e Eddie.
Em 1957, publica “México”, onde conta as impressões da viagem que fizera àquele país.
”O arquipélago”, terceiro livro da trilogia “O tempo e o vento”, começa a ser escrito em 1958. Tem um mal-estar ao discursar na abertura de um congresso em Porto Alegre. Consegue se refazer e disfarçar o ocorrido.
Acompanhado de sua mulher e do filho Luis Fernando, faz sua primeira viagem à Europa, em 1959. Expõe sua defesa à democracia em palestras proferidas em Portugal e entra em choque com a ditadura salazarista. Lança “O ataque”, que reunia três contos: “Sonata”, “Esquilos de outono” e “A ponte”, além de um capítulo inédito de “O arquipélago”. Passa uma temporada na casa de sua filha, em Washington.
Dedica-se, em 1960, a escrever “O arquipélago”.
Em 1961, sofre o primeiro infarto do miocárdio. Após dois meses de repouso absoluto, volta aos Estados Unidos com sua mulher. Saem os primeiros tomos de “O arquipélago”.
O terceiro tomo de “O Arquipélago” é publicado em 1962, concluindo o projeto de “O tempo e o vento”. O volume é considerado uma obra-prima. Visita a França, Itália e a Grécia.
A mãe do biografado falece em 1963.
Em 1964, seu filho Luis Fernando casa-se com Lúcia Helena Massa, no Rio de Janeiro, cidade para a qual ele se mudara em 1962. Dessa união nasceriam Fernanda, Mariana e Pedro. Insurge-se contra o golpe militar e dirige manifesto a seus leitores em defesa das instituições democráticas. Recebe o título de “Cidadão de Porto Alegre”, conferido pela Câmara de Vereadores daquela cidade.
Ganha o Prêmio Jabuti – Categoria “Romance”, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, com o livro “O senhor embaixador”. Volta aos Estados Unidos.
A convite do governo de Israel, visita aquele país em 1966. Vai aos Estados Unidos, mais uma vez, visitar seus familiares. Escreve “O prisioneiro”, que seria lançado em 1967. A Editora José Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, em cinco volumes, o conjunto de sua ficção completa. Desse conjunto faz parte uma pequena autobiografia do autor, sob o título “O escritor diante do espelho”.
”O tempo e o vento”, sob a direção de Dionísio Azevedo, com adaptação de Teixeira Filho, estréia na TV Excelsior, em 1967. No elenco, Carlos Zara, Geórgia Gomide e Walter Avancini.
É agraciado com o prêmio “Intelectual do ano” (Troféu Juca Pato”), em 1968, em concurso promovido pela “Folha de São Paulo” e pela “União Brasileira de Escritores”.
No ano seguinte, a casa onde Erico nascera, em Cruz Alta, é transformada em Museu Casa de Erico Verissimo. Lança “Israel em abril”.
Em 1971, é editado o livro “Incidente em Antares”.
Em 1972, comemorando os 40 anos de lançamento de seu primeiro livro, relança “Fantoches”, onde o autor acrescentou notas e desenhos de sua autoria.
Amplia sua autobiografia, publicada em 1966, fazendo surgir suas memórias — sob o título de “Solo de clarineta” — cujo primeiro volume é publicado em 1973.
O escritor falece subitamente no dia 28 de novembro de 1975, deixando inacabada a segunda parte do segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria “A hora do sétimo anjo”.
Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001) foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.
Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta, Gabriela e Tereza Batista são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.
Mesmo dizendo-se materialista, era simpatizante do candomblé, religião na qual exercia o posto de honra de Obá de Xangô no Ilê Opó Afonjá, do qual muito se orgulhava. Amigos que Jorge Amado prezava no candomblé as mães-de-santo Mãe Aninha, Mãe Senhora, Mãe Menininha do Gantois, Mãe Stella de Oxóssi, Olga de Alaketu, Mãe Mirinha do Portão, Mãe Cleusa Millet, Mãe Carmem e o pai-de-santo Luís da Muriçoca.
Como Érico Veríssimo e Rachel de Queiroz, é representante do modernismo regionalista (segunda geração do modernismo).
No ano seguinte ao de seu nascimento, uma epidemia de varíola obriga a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus, onde viveu a maior parte da infância, que lhe serviu de inspiração para vários romances.
Foi para o Rio de Janeiro, então capital da república, para estudar na Faculdade de Direito da então Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a década de 1930, a faculdade era um pólo de discussões políticas e de arte, tendo ali travado seus primeiros contatos com o movimento comunista organizado
Foi jornalista, e envolveu-se com a política ideológica, tornando-se comunista, como muitos de sua geração. São temas constantes em suas obras os problemas e injustiças sociais, o folclore, a política, crenças e tradições, e a sensualidade do povo brasileiro - contribuindo assim para a divulgação deste aspecto de nossa gente.
Suas obras são umas das mais significativas da moderna ficção brasileira, com 49 livros, propondo uma literatura voltada para as raízes nacionais. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que lhe rendeu fortes pressões políticas.
Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952). Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais dos seus livros. Na década de 1990, porém, viveu forte tensão e expectativa de um grande baque nas economias pessoais, com a falência do Banco Econômico, onde tinha suas economias. Não chegou porém a perder suas economias, já que o banco acabou socorrido pelo Proer, controvertido programa governamental de auxílio a instituições financeiras em dificuldades. O drama pessoal de Jorge Amado chegou a ser utilizado pelo lobby que defendia a intervenção no banco, para garantir os ativos dos seus correntistas.
Jorge Amado foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 6 de abril de 1961, ocupando a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar. De sua experiência acadêmica, bem como para retratar os casos dos imortais da ABL, escreveu Farda, fardão, camisola de dormir, numa alusão clara ao formalismo da entidade e à senilidade de seus membros, então.
Sei que ultimamente não ando postando nada. Mas em compensação procuro sempre deixar algum vídeo, poesia ou alguma biografia para entreter os curiosos e dar aos leitores (decobri q tenho alguns!) a idéia de que este blog não está entregue as moscas.. e não está!
O problema é que meu computador quebrou! Assim quando eu escrevo é na casa de algum amigo, ou como agora: na hora do almoço aqui no trabalho!!!
Mas tenho escrito muita coisa... não tenho ficado parado não. Meu caderninho ta cheio, falta só passar para o computador!!
Antes q eu me esqueça, meu livro foi por água abaixo... junto com tudo q eu tinha no PC. Fotos, músicas, vídeos... TUDO!!!
Mas comecei outro projeto. Meu livro ficará para a próxima oportunidade!
Nascido no Engenho Corredor, município paraibano de Pilar, filho de João do Rego Cavalcanti e de Amélia Lins Cavalcanti, fez as primeiras letras no Colégio de Itabaiana, no Instituto N. S. do Carmo e no Colégio Diocesano Pio X de João Pessoa. Depois estudou no Colégio Carneiro Leão e Osvaldo Cruz, em Recife. Desde esse tempo revelaram-se seus pendores literários. É de 1916, por exemplo, o primeiro contato com O Ateneu, de Raul Pompéia. Em 1918, aos dezessete anos portanto, José Lins travou conhecimento com Machado de Assis, através do Dom Casmurro. Desde a infância, já trazia consigo outras raízes, do sangue e da terra, que vinham de seus pais, passando de geração em geração por outros homens e mulheres sempre ligados ao mundo rural do Nordeste açucareiro, às senzalas e aos negros rebanhos humanos que a foi formando.
Após passar sua infância no interior e ver de perto os engenhos de açúcar perderem espaço para as usinas, provocando muitas transformações sociais e econômicas, foi para João Pessoa, onde fez o curso secundário e depois, para Recife, onde matriculou-se, em 1920, na faculdade de Direito.
Nesse período, além de colaborar periodicamente com o Jornal do Recife, fez amizade com Gilberto Freyre, que o influenciou e, em 1922, fundou o semanário Dom Casmurro.
Formou-se em 1923. Durante o curso, ampliou seus contatos com o meio literário pernambucano, tornando-se amigo de José Américo de Almeida, Osório Borba, Luís Delgado, Aníbal Fernandes, e outros. Gilberto Freyre, voltando em 1923 de uma longa temporada de estudos universitários nos Estados Unidos, marcou uma nova fase de influências no espírito de José Lins, através das idéias novas sobre a formação social brasileira.
Ingressou no Ministério Público como promotor em Manhuaçu, em 1925, onde entretanto não se demorou. Casado em 1924 com d. Filomena (Naná) Masa Lins do Rego, transferiu-se em 1926 para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos, até 1930, e fiscal de consumo, de 1931 a 1935. Em Maceió, tornou-se colaborador do Jornal de Alagoas e passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco, Carlos Paurílio e outros. Ali publicou o seu primeiro livro, Menino de engenho (1932), chave de uma obra que se revelou de importância fundamental na história do moderno romance brasileiro. Além das opiniões elogiosas da crítica, sobretudo de João Ribeiro, o livro mereceu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1933, publicou Doidinho, o segundo livro do "Ciclo da Cana-de-Açúcar".
A criação literária de José Lins do Rego(aka: Zé do Rego), como ele próprio afirma, foi baseada, fundamentalmente, nas histórias de trancoso, contadas pela velha Totônia e pela leitura de Os doze pares da França, de Carlos Magno, que ele leu aos doze anos, ainda no internato de Itabaiana, tendo recebido, também, influências de Victor Hugo, Proust, Hardy, Stendhal e os que ele chamava de "os grandes russos da minha vida: Tolstói, Tchecov e Dostoievski". Entre os nacionais, ele cita Raul Pompéia, Machado de Assis, Gilberto Freyre e Olívio Montenegro.Participou do movimento regionalista de 33 organizado por Gilberto Freyre no Recife .
Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
Que zela pela sua felicidade, Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,
Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas, E que dá uma sacudida em você quando for preciso.
Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,
É ver como ele(a) fica triste quando você está triste, E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.
Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro. Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, Sem inventar um personagem para a relação, Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; Quem não levanta a voz, mas fala; Quem não concorda, mas escuta.
Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
"Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento; é preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"
A Noite Estrelada é uma das mais conhecidas pinturas do artista holandês pós-impressionista Vincent van Gogh. Foi criada por Van Gogh aos 37 anos, enquanto esteve em um asilo em Saint-Rémy-de-Provence (1889-1890). A obra atualmente encontra-se na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Ao contrário de muitas outras de suas obras, A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem, como de costume. Acredita-se que este é o motivo pelo qual ele causa um impacto ao espectador.
Durante sua estadia no asilo, van Gogh se dedicou a pintar sobre todas as paisagens da região de Provence. É nesse período que ele rompeu com o que se poderia chamar de uma fase impressionista, desenvolvendo um estilo muito particular, no qual prevalecem fortes cores primárias, tais como o amarelo, para as quais van Gogh atribui significados próprios.
A pintura foi a inspiração para a canção de Don McLean, Vincent, que é também conhecida como Starry, Starry Night ("Estrelada, Noite Estrelada").