sábado, 13 de agosto de 2011

Os Tolos Morrem Antes - Mario Puzo

Eu fico feliz quando leio, e gosto, de um livro "desconhecido" de um autor conhecido. Sabe, aqueles livros que os escritores escrevem mas não aparecem na lista de leitura recomendada nos catálogos? Pois é.

Quando conhecemos um novo autor, um que simplesmente nunca tinhamos ouvido falar, geralmente, a tendência é começar a ler os seus livros mais célebres. Por exemplo: Hemingway (O Velho e o Mar), Fitzgerald (o Grande Gatsby), Érico Veríssimo (O Tempo e o Vento), Saramago (Ensaio sobre a Cegueira), etc.

Mas eu leio, sempre que posso, os não tão conhecidos. É o caso de Os Tolos Morrem Antes, de Mario Puzo. Geralmente quem ouve falar nele lembra-se de imediato do seu famoso livro O Poderoso Chefão. Eu apesar de ter os dois, preferi começar lendo o primeiro. 

Eu comprei Os Tolos Morrem Antes numa livraria (um sebo, para ser mais exato) perto da minha faculdade, estava de promoção. Ao encontrá-lo, pensei: "Mario Puzo! Vou comprar!" Dito e feito. Isso foi há quase um mês, o livro é grande - mais de 500 páginas, mas eu simplesmente ADOREI.

A historia se passa em Las Vegas, nos grandiosos cassinos, depois em Los Angeles (Hollywood,) quando o personagem principal, John Merlyn, escritor em ascensão, tem um de seus livros adaptados para o cinema. O filme é um desastre, mas o que importa são as pessoas que ele encontra: Osano - escritor famoso; Janelle - sua única amante, etc. e seus diálogos sobre diversos assuntos: feminismo, liberdade (sexual, intelectual e social), riqueza ("enriquecer no escuro"), sexo e amor, traição, a morte, entre outros.

Apesar de não ser o ambiente principal, os cassinos sempre voltam a fazer companhia de Merlyn (seria um alter ego de Mario Puzo?), o que levou algumas das edições brasileiras a ter na capa um casal jogando em roletas, e alguns dados.

Em resumo: recomendo fortemente o livro. Principalmente para quem quer ler Mario Puzo sem querer ouvir falar em máfia.

Acima, segue a versão da capa do livro que eu li (editora Record). Ao lado, a versão mais facilmente encontrada por ai nos sebos (ed. Círculo do Livro).

OBS: Pessoalmente eu prefiro à de cima, se querem saber! Eu acho que a capa ao lado, definitivamente, não é capaz de descrever, por assim dizer, a coisa toda.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Italo Calvino e Borges

Foto rara - Momento de descontração dos dois escritores.

domingo, 7 de agosto de 2011

Match Point

Nada melhor que passar uma madrugada de sábado assistindo a um bom filme. Principalmente se esse for um dos filmes "Woodyanianos" que tanto gosto. Há os de comédia, romance... mas também há os trágicos, por assim dizer.

Esse é o caso de Match Point, um filme que retrata de forma magistral o lado negro da alma humana, dando ênfase à ambição e à luxúria de forma obsessiva. Há também temas como a casualidade da vida (o efeito da sorte sobre nós), a imprevisibilidade e tipos de amor... tudo isso de forma absolutamente contundente. 

Através dele, somos espectadores desse drama ao ver a condição humana ser retratada com uma frieza assustadora, sem nenhuma esperança de ordem moral - somos (ou podemos ser) piores do que imaginamos.

Ao assistir o filme não pude deixar de me lembrar de outro filme de Allen, Crimes e Pecados, onde o tema, embora tenha sido exposto de forma magistral, não se iguala ao Match Point, mais atual. Enquanto em um o assassinato é ocasionado "apenas" pelo medo de perder a família (devido a uma relação extraconjugal) no último temos além disso o temos fator econômico -  largar a mulher que o ama e uma situação de conforto e "futuro" por um caso com uma atriz (aspirante) desestruturada.

Se algum dia eu criar coragem e escrever meu livro (um romance) com certeza terei como fonte de inspiração o tema.

Assistam ao filme. Não há muito mais coisas a se dizer. O filme é bom, a trilha sonora é excelente, atores melhores não poderiam ter sido escolhidos. Veja aqui o Trailer.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

Um Conto de Domingo



Não se sabe bem como tudo aquilo começou. Não se sabe bem desde quando ele começou a se sentir daquela forma, a ter aqueles pensamentos. Mas a questão é que eles estavam lá, em sua cabeça.

E eram assim todos os domingos. Aquela nostalgia, tristeza de nem sei bem o quê. Seria típico de todos os domingos ou seria mais uma de suas idiossincrasias? Como saber? Afinal era domingo.

Tentou entreter-se um pouco com a televisão. Tinha agora uma programação especial com mais de duzentos canais a seu dispor. Antes era apenas a chamada “TV aberta”. Mas não mais, não desde que fora promovido em seu emprego, há uns dois anos, conseguira um aumento de cinqüenta por cento em seu ordenado. Mas nada naquela extensa programação chamava sua atenção por mais de cinco ou seis segundos. Seus olhos estavam voltados para dentro de si.

Foi na cozinha preparar uns dois ou três sanduíches daqueles bem turbinados (hambúrguer, queijo, presunto...). Talvez assim conseguisse dessa forma tão comum, preencher o vazio que sentia dentro de si, embora algo lhe dizia que não seria com comida que satisfaria esse seu tipo de necessidade.

Depois de comer foi se sentar em sua poltrona para ler um pouco. Seues olhos passaram por diversos livros: poesia, enciclopédias, história, romances... Até mesmo seu estudo sobre o candomblé na Bahia (cujo artigo sobre o assunto ele já estava quase terminando) foi capaz de lhe despertar algum interesse. Fechou todos os livros e os deixou no chão, ao seu lado. Cerrou os olhos, pôs a mão em seus olhos e julgou ter adormecido.

Quando acordou, já era noite. Adormecera a tarde toda e ficou triste por isso. Nem ao menos estava com sono. Seu dia de folga passara totalmente em vão. Amanhã iria voltar ao trabalho e tentar demonstrar a naturalidade e otimismo que sua função exigia. Seu papel para os outros (e para si mesmo).

Mas ainda é domingo. Foi tomar um banho, desligou o computador e foi dormir. E sonhou que amanhã ainda seria domingo.

Jardel Leite

sábado, 30 de julho de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Toca do Coelho

[Uma vez me perguntaram o que eu tinha como felicidade. E me lembrei que tal conceito fora para mim mudando com o passar do tempo. Dependendo sempre de onde e como estivesse. Ou do que necessitasse ou quisesse. Ou ainda, de quem eu gostaria que estivesse sempre ao meu lado.

No entanto eu lembro que nesta mesma época ainda morava na casa de meus pais. E o que mais desejava era chegar a casa e não ter problema algum. Nenhuma dificuldade, todas as contas estivesse em dia, a geladeira e a dispensa abastecidas. E que todos debaixo daquele teto estivessem bem, com saúde e tudo mais que se tem direito.

Eu sinceramente desejava muito que chegasse esse dia de gloria. Pedia a Deus que no exato momento em que passasse pela porta da sala, toda a escuridão do mundo ficasse do lado de fora. Eu esperava com tanta ansiedade que ao entrar na casa eles estivessem felizes e comemorando alguma coisa. Ou simplesmente apenas felizes. Como se apenas felicidade já não fosse o bastante. Eu queria muito ver minha a mãe sorrindo, meu pai menos cansado, minha irmã menos nas nuvens e mais na terra. Até meu irmão poderia está lá com eles, rindo e se divertindo, até as minhas custas se fosse o caso.

Hoje olhando para trás, talvez eles nunca tenham pensando que sempre lhes desejei isso, por ser sempre tão estrangeira tão tangente a vida deles, mas isso nunca fora verdade. Na hora da necessidade o sangue chama, ouvi isso em algum lugar. E sempre que por mim chamaram, lá estava eu. Eu queria realmente que eles fossem felizes. Com ou sem mim.

Mas, o dia de glória nunca chegou. Minhas preces a Deus foram em vão. A dispensa continuou vazia, a geladeira também. Minha mãe fora vencida pela tristeza e meu pai pelo cansaço. Meus irmãos conheceram o mundo e se perderam dentro dele.

E um dia eu abri a porta de casa e não havia ninguém mais lá. Nem eles e nem eu].

Cláudio Alving

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Iluminado - The Shinig (1980)

Sempre quando se fala do filme O Iluminado ( "The Shining" de Stanley Kubrick) nos vem em mente uma série de símbolos e detalhes visuais presentes em todo o filme: o machado de Jack Torrance, o triciclo do pequeno Danny, o tapete do imponente e assustador hotel Overlook, etc.

Há vários designers, poster e gráficos representativos do filme. A grande maioria foi usada como poster do filme, outros nunca chegaram efetivamente a serem utilizados na publicidade do filme. Segue abaixo alguns exemplos de posters alternativos.
 











domingo, 17 de julho de 2011

Mazzaropi - Um Caipira Pé No Chão


Uma pergunta a se fazer: quem, que nasceu na década 80 pra cá já ouviu falar no Mazzaropi? Infelizmente creio que não muitas pessoas. Eu mesmo só  "descobri" há pouco tempo.

Um orgulho para a cultura dos brasileiros. Há quem diga que ele (e não o Renato Aragão -Didi) foi o Chaplin brasileiro. Com um humor sem maldade, puro e capaz ainda de nos despertar sorrisos sinceros, é impossível não se emocionar. Mazzaropi encarnou o caipira Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato.

Acho que é meu dever divulgar esse ícone. Conheça um pouco mais no documentário UM CAIPIRA PÉ NO CHÃO.

sábado, 16 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Nunca um compromisso


"A literatura não é um compromisso. Nunca. O compromisso, se existe, será o dessa pessoa que é o escritor. A literatura não pode ser instrumentalizada. Não se pode dizer que sirva para isto ou aquilo."

José Saramago

sábado, 2 de julho de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

Os fillmes de Allen


Tenho que confessar: sempre que assisto um dos filmes do Woody Allen tenho, já do começo, algumas pretensões pseudo-cults. Não é culpa minha, juro! Mas é a verdade.

Nos primeiros vinte minutos tento entender, no meio de toda aquela falta de sentido, a profundidade de tudo o que me é exposto. Procuro metáforas de todo o tipo e chego a conclusão que estou sendo tolo, deixo tudo de lado e me concentro no filme, me esquecendo um pouco da minha vaidade "intelectual" e sendo apenas um simples expectador. Percebendo, só no final, a "profundidade" de tudo aquilo.

Me envolvo, fico curioso, fico triste, me deprimo, fico na torcida e em seguida posso ver uma luz no fim do túnel. Vejo que muitos dos filmes deles são como a vida: Nem sempre o mocinho fica com a mocinha; nem tudo são sorrisos, mas também está longe de ser só lágrimas... parece besteira, mas é como ter um orgasmo intelectual descobrir por si mesmo isso tudo!

Percebo, só no final, que os filmes de Allen, na sua grande maioria, não são para qualquer um. Não estou sendo pseudo-cult-vaidoso-intelectual-egocêntrico ao dizer isso, mas as pessoas estão acostumadas afinais emocionantes, grandes explosões, beijos devoradores, sexo semi-explícito, etc... e podem acabar achando o filme entediante... um tanto "parado" como disse uma amiga minha. Mas Woody é diferente.
Bem, para falar a verdade, é complicado falar sobre esse cineasta de Nova Iorque. Talvez um dia em que o presente leitor desse despretensioso blog estiver num clima meio existencial, possa entender o que digo. Ou talvez, assim como eu, já seja fã de seus filmes.

Perdoem meus erros de ortografia e de concordância, mas estou no meio de uma crise de garganta e a febre não me deixa raciocinar direito!

Ciao!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Teresinha - Chico Buarque



O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.

Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse "não".

O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.

Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse "não".

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama

E me chama de mulher.
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito posseiro
Dentro do meu coração.