sábado, 3 de agosto de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Consolo na praia
Vamos, não chores…
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-se – de vez – nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 15 de julho de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
Um dia só de Vinícius!
2- Onde anda você:
3- Garota de Ipanema:
4- Canto de Ossanha:
5- Tarde em Itapuã:
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A carta anônima que jamais enviarei.
Prezada amiga,
Vim acompanhando com bastante curiosidade - e à distancia, é verdade - sua rotina diária: A maneira com que manipula o computador, como corta papel, como atende ao telefone ou como ajuda um cliente.
É certo que o ambiente é um dos mais agradáveis possíveis e que com certeza lhe permitirá o contato com as pessoas mais inusitadas - e se me permite a ousadia... pessoas como eu.
Não posso negar o prazer que tenho ao tomar um cappuccino enquanto lhe observo. Nem mesmo as páginas do meu livro, ao qual peguei emprestado para simular meu disfarce, conseguem me ajudar. O livro aberto e meus olhos presos em você. O agradável cheiro de minha bebida cafeinada se confunde com o prazer de minha visão.
Sei que falando assim eu pareço um dos mais temíveis personagens, mas minhas intenções são inocentes e inofensivas, lhe garanto. Quais são elas? Bem... você tem o direito de saber, é evidente. Mas não sei se você me entenderia. Obviamente não se trata de nenhum amor platônico ou muito menos as observações de um tarado-sexual-obssessivo. Por favor, não me julgue tão duramente, nem tudo na vida é binário.
Outro dia conversamos no caixa sobre o livro que eu estava comprando (O Lago, Yasunari Kawabata). Foi breve, só o tempo suficiente para a máquina processar o meu débito em conta. Sua simpatia comigo foi cativante. Estava somente sendo educada com um cliente? Provavelmente sim, mas lembrei do seu sorriso ao término de cada capítulo do livro.
Não quero me alongar por muito mais tempo, já que temo estar sendo enfadonho, mas admito que estou curioso para ver sua reação ao ler estas palavras. Você deixará a carta sutilmente sobre a mesa enquanto levanta seus olhos em busca de mim? Mostrará à alguma amiga próxima, pedindo sua opinião? Mudará de emprego com medo de estar sendo seguida? Rsrsrsrs.. garanto que a última hipótese não será necessária.
Fico por aqui, e caso queira me conhecer e tomarmos um café enquanto conversamos sobre o que quer que seja, ou esteja apenas curiosa para ver o meu rosto, vá sexta-feira com o cabelo preso com o prendedor que lhe envio junto a este bilhete. Pensei em um prendedor preto, mas creio que amarelo ficaria muito mais visível à distância, se é que me entende.
Ciao,
O Leitor
domingo, 7 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
O Anticristo, de Lars Von Trier
O que dizer de O Anticristo?
Pertubador? Enigmático? Profundo? Decepcionante? Realmente é complicado lançar qualquer adjetivo sem parecer falso ou exagerado. Eu acredito que, da mesma forma que os expectadores amam (ou odeiam) os outros filmes do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, não é possível realmente descrever o filme, a não ser assistindo-o. Esse filme só atinge seu real significado para expectadores que já conhecem os meios de Lars, sua simbologia, metáforas, suas provocações e analogias...
Esse é o segundo filme do cineasta que eu assisti (o primeiro foi Melancolia). E de início já pude perceber algo em comum logo no início: As cenas em câmera lenta e uma bela melodia ao fundo (Lascia ch’io Pianga, da ópera Rinaldo, de Handel.)
É certo que o enredo do filme por si só, já comove.
Um casal, que não se sabe o nome, apenas que o homem é um analista e a mulher uma intelectual (interpretados por Willem Defoe e Charlotte Gainsbourg) está sofrendo pela recente perda de seu filho, que sofre um acidente ao cair da janela no exato momento em que os pais fazem amor.

No período que se segue, o casal se muda para uma cabana afastada de tudo, para que o marido, terapeuta, possa trabalhar os traumas, medos e anseios da esposa, já que a mulher parece ter uma estranha ligação com a cabana. Mas coisas estranhas começam a acontecer...

Não quero entrar em detalhes, e tirar o prazer de assistir ao filme, mas o que se segue são cenas de violência, sexo, perseguição, tortura e terror psicológico (a esposa estaria neurótica e sofrendo de doenças psíquicas ou estaria sofrendo influências do sobrenatural?).
De certo, o filme é cheio de simbolismos, eu pude notar alguns:
- Os chamados 'Três mendigos" que quando surgem anunciam uma morte (relação com os três reis magos que anunciam o nascimento de Cristo?)
- O nome da floresta ser Éden (alguma alegoria com a bíblia?)
- O marido ter sido 'incapacitado" pela mulher justamente na perna (enquanto a esposa trocava, propositadamente os sapatos - esquerodo pelo direito - di filho, forçando-o à uma pequena deformação nos pés);
- Entre outros...
De fato esses simbolismos podem até não terem sido percebidos logo de cara, mas talvez, vendo o filme pela segunda vez, é possivel notar que algumas coisas não aparecem só por aparecer. Elas tem um significado mais profundo. Eu mesmo, durante o filme, tive a estranha sensação de que coisas estavam acontecendo ao redor, mas não conseguia identificar (ou absorver) seu significado.


O próprio título do filme: O Anticristo, seria inspirado no nome do livro do filósofo Friederich Nietzsche, um favoritos do cineasta? Não se sabe, mas provavelmente este seja mais um dos simbolismos do filme!
Resumindo:
O Anticristo, de Lars Von Trier, é um filme extremamente passível a interpretações. O que dependerá, é claro, do conhecimento prévio e do estado de espírito do público. Vale a pena conferir!
domingo, 23 de junho de 2013
Obsceno
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| O artista francês Jean-Pierre Ceytaire em seu ateliê. |
Hoje, bem no meio de minhas leituras, encontro este interessante questionamento, feito por Montaigne:
"O que pode o ato sexual, tão natural, legítimo, ter feito ao homem para que ele não ouse mais falar do assunto sem vergonha e para que exclua dos discursos sérios e moderados? Dizemos corajosamente: matar, roubar, trair; por que só aquilo deveria ser pronunciado à boca pequena?"
Faz sentido, claro. Nós, pessoas 'civilizadas' de uma maneira geral, temos uma tendência a nos sentirmos incomodados à quase tudo relacionado ao sexo, como se fosse algo errado ou proibido. Um tabu? Pelo menos aqui no Ocidente, mas creio que não seja exatamente assim no Oriente.
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| Obra de Jean-Pierre Ceytaire |
Aprendemos desde cedo a ser cautelosos com a escolha de nossas palavras, e em grande parte das vezes, até com nossos pensamentos. Assim, algumas pessoas continuam com essas programações mentais, mesmo depois de adultos. Alguns até dirão que foi a educação recebida, mas não sou totalmente de acordo com essa afimação. Quando reprimimos tais pensamentos (e vontades) tendemos a criar sentimentos reprimidos, o que pode, em alguns casos, desencadear sintomas neuróticos.
É a velha e tradicional disputa entre o id (depósito ou conjunto de nossos impulsos instintivos, agressivos e sexuais - na grande parte das vezes inconscientes) e o superego (Nossa consciência, representando nossa assimilação ou aceitação, dos padrões recebidos dos nossos pais e da sociedade). Ambos os termos são bem conhecidos na psicologia.
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| Obra de Jean-Pierre Ceytaire |
Não creio que chegue a ser hipocrisia das pessoas não aceitar tais vontades, até por que algumas dessas vontades precisam realmente ser controladas. Talvez algumas pessoas simplesmente não aceitem que podem, ou devem, dar ouvidos a tais vontades, ou fetiches (Há alguns limites, claro - zoofilia, pedofilia, necrofilia, etc).
Todos nós temos interesse pelo tema. Quem nunca, secretamente, teve sua atenção redobrada em determinado trecho de filme ou livro quando este se torna um pouco mais 'picante'? Quando aparece alguma mulher nua? Eu particulamente confesso: sou um desses!
Creio que seja visível: pessoas sexualmente bem resolvidas tendem a ser mais felizes. Já ouviram a expressão "essa daí tá precisando é 'namorar'". A frase pode parecer machista, mas ela tambem é perfeitamente aplicada aos homens, acreditem.
Alguns se satisfazem com a pornografia tradicional (fotos ou videos em que pode-se até mesmo ver o útero da 'atriz'). Outros preferem algo ainda mais ousado (sexo com animais, anões, idosos, pessoas deformadas, cenas de tortura, fezes e/ou urina, etc.). Não é bem o meu caso. Eu me sinto mais atraido por algo mais sutil.
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| Bad Boy, de Eric Fischl |
Algumas possoas podem até rir (e não acreditar) no que eu vou falar, mas pornografia não é a minha especialidade. No campo da literatura (erotica), por exemplo, me sentiria um pouco mais a vontade em falar. Mas ai já seria um assunto para um outro post.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sonhos, de Akira Kurosawa
Amigos, creio que já é do conhecimento de todos que um dos meus cineastas favoritos é o japonês Akira Kurosawa. Não sei bem o motivo, mas creio que seja por que sempre tive uma quedinha pelo antigo Japão tradicional, não o atual (o Pop). Eu sempre tive uma tendência a ser meio melancólico e o que seria mais tradicional e melancólico do que as antigas vilas dos samurais, a cultura milenar dos japoneses, a tradicional cerimônia do chá, (etc, etc.)?
Kurosawa influenciou uma série de diretores no ocidente (Coppola, Spielberg, Scorsese, George Lucas, entre outros). Para os mais estudiosos da história do Cinema, ele não foi o melhor cineasta do Japão, mas sem dúvida é o mais conhecido entre nós, principalmente por conta de seus filmes de samurai.
Nesse final de semana acabei de assistir o filme Sonhos (1990). Adianto logo que o filme não comenta nada sobre samurais, pois trata-se de breves episódios (ou sonhos) que abrangem diversos temas. O que mesmo assim não me desapontou em nada.
O filme é extremamente bonito. Acho que essa é a palavra correta a ser usada. Bela fotografia, excelentes cenários, figurino, trilha sonora... Creio que para aqueles que possuem uma alma sensível (e me arrisco até a dizer, um mínimo de bom gosto) é bem provável que após assistir Sonhos você não seja mais o mesmo.
Exagero? Acho que não.
Lendas do folclore japonês (Um raio de sol através da chuva e A tempestade) O perigo e as consequências que o homem está sujeito ao horror radioativo (Monte fuji em vermelho e Demônio que chora). A destruição da natureza (O Jardim das pessegueiras), a tragédia da honra militar e os soldados que se recusam a aceitar sua morte (O túnel). A beleza das paisagens que serviram de inspiração para o pintor holandês Vicent Van Gogh (Corvos). A utopia de uma pequena vila que vive como os homens de antigamente, sem tecnologia, apenas em harmonia com a natureza (O vilarejo dos moinhos).
Assistam, não há mais o que dizer. Um filme que precisa ser apreciado não só com os olhos, mas também com o coração.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
Quincas Borba, Capítulo XLV
"E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."
Trecho de Quincas Borba - Machado de Assis
terça-feira, 21 de maio de 2013
Kappa: o espírito dos rios e lagos
Kappa (河童), Gataro (川太郎) ou ainda Kawako (川子) é o nome de um youkai (demônio, espírito ou monstro) aquático do folclore japonês. Ele pode ser tanto benéfico quanto maléfico e os japoneses acreditam que há algumas maneiras de se proteger contra um kappa maldoso.
É um espírito anfíbio do folclore japonês. Quando plenamente desenvolvido, um kappa tem o tamanho de uma criança de dez anos e ele e hermafrodita. Sua pele é escamosa e verde-amarelada; tem cara de macaco, costas de tartaruga; as mãos e os pés têm membranas, para nadar mais facilmente. Talvez seu traço físico mais característico seja uma depressão em forma de pires no topo da cabeça, que deve sempre conter água, para que o kappa possa conservar seus poderes sobrenaturais e sua força extraordinária quando está em terra.
Os kappas vivem em rios, lagos e lagoas, mas nunca hesitam em subir a terra firme em busca de sua presa. Tradicionalmente os contos retratam-nos como mal-intencionados, puxar suas vítimas para o fundo dos rios e lagos e afogá-las. Seriam ávidos por sugar as entranhas de sua vítima e beber seu sangue. Diz-se que adoram especialmente o fígado humano. Mas também são representados como inteligentes e honrados.
Diz-se que a humanidade aprendeu a arte de curar fratutas de ossos com um kappa, que ofereceu esse conhecimento em troca do seu braço amputado em uma de suas aventuras de pilhagem. Os braços e as pernas de um kappa, quando presos de novo ao corpo, ficam como novos em questão de dias.
Diz-se que a humanidade aprendeu a arte de curar fratutas de ossos com um kappa, que ofereceu esse conhecimento em troca do seu braço amputado em uma de suas aventuras de pilhagem. Os braços e as pernas de um kappa, quando presos de novo ao corpo, ficam como novos em questão de dias.
O melhor método para subjugar um kappa é cumprimentá-lo muitas vezes, curvando a cabeça, como fazem os japoneses. Como é uma cortesia fora do comum, o kappa vai sentir-se obrigado a curvar a cabeça, em resposta. Após vários cumprimentos com a cabeça, todo o líquido (que lhe dá poderes e força, fora da água) terá se derramado do topo de seu crânio e ele será forçado a voltar ao seu lar aquático. Outra estratégia para aplacar um kappa mal-intencionado é dar-lhe pepinos para comer, pois trata-se de seu alimento predileto.
Diz-se que riscar o nome dos familiares na casca de pepinos e depois jogá-los dentro da água protege essas pessoa contra os kappas, que, ao aceitarem os pepinos para comer, ficam moralmente obrigados a não fazer mal a essas pessoas. Essa ligação lendária entre kappas e pepinos tornou-se um elemento tão arraigado na cultura japonesa que o sushi recheado com pepino é hoje é chamado de kappa maki.
Diz-se que riscar o nome dos familiares na casca de pepinos e depois jogá-los dentro da água protege essas pessoa contra os kappas, que, ao aceitarem os pepinos para comer, ficam moralmente obrigados a não fazer mal a essas pessoas. Essa ligação lendária entre kappas e pepinos tornou-se um elemento tão arraigado na cultura japonesa que o sushi recheado com pepino é hoje é chamado de kappa maki.
Fonte: Wikipédia
domingo, 12 de maio de 2013
O poeta e o sofrimento
“O que pode um poeta sem o sofrimento? O poeta precisa de sofrimento tanto quanto de sua máquina de escrever.”
Charles Bukowski
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