sábado, 30 de outubro de 2010
E agora, como ficamos?
Lula, que não entende de sociologia, levou
32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; e que
também não entende de economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida
com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus
antecessores juntos [14 universidades públicas e estendeu mais de 40
campi], e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à
universidade [meio milhão de bolsas para pobres em escolas
particulares].
Lula, que não entende de finanças nem de contas
públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares
[valores de janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria
FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e
disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG-Partido da
Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não
entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o
Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de
combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao
petróleo do planeta].
Lula, que não entende de política, mudou os
paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países
emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi
sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do
sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce
liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a
Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no
Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira
ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e
afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC;
antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado
investir; hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende
de crise, mandou baixar o IPI e levou a
indústria automobilística a
bater recorde no trimestre [como também na linha branca de
eletrodomésticos].
Lula, que não entende de português nem de outra
língua, tem fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado
entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do
mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha
empatia e relação direta com George Bush -
notada até pela imprensa
americana - e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.
Lula, que
não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador;.. é amigo do
tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO - American Federation
Labor-Central Industrial Congres - a central de trabalhadores dos
Estados Unidos, que lá sim, é única...]e entra na Casa Branca com
credencial de negociador e fala direto com o Tio
Sam lá, nos
"States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe
interpretar um mapa é autor da [maior] mudança geopolítica das Américas
[na história].
Lula, que não entende nada de diplomacia
internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas
as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não
entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas; faz
história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula,
que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um
pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com
Israel.
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos
os outros...!
Pedro Lima * |
Economista e professor de
economia da UFRJ
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Atire a primeira pedra!
Achei essa imagem outro dia na internet. Quem nunca passou por uma situação dessas que atire a primeira pedra!
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Uma aula de Poesia
"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão. E medicina, direito, administração, engenharia, estas são atividades nobres e necessárias para sustentar a vida. Mas a poesia, beleza, amor, romance, estes são os que fazemos para ficarmos vivos.(...)
domingo, 3 de outubro de 2010
Alguns Filmes...
Existem alguns filmes que nos tocam de maneira única.
Recentemente assisti "Instinto Secreto", exibido pela Globo nessa noite de sábado. Um filme muito bom, sem dúvida, e podem acreditar, será um daqueles que vou levar para sempre comigo, na minha cabeça, só não me perguntem o motivo.
Sou fascinado por fimes de terror. Mas os de assassinatos só servem se forem os de Serial Killer (existe algum terror de assassinos que não sejam com SK?) com problemas psicológicos (Mas ser SK já não é, necessariamente, ter problemas psicológicos?).
Transtornos bipolares, dupla personalidade, traumas infantis, psicopatia... tudo isso é muito interessante. A própria mente humana já é interessante, o que dizer de suas patologias? Nos fazem pensar: "Como seria ter uma outra pessoa em nossa cabeça conversando conosco, nos induzindo o que fazer?", ou "Como seria a sensação de fazer isso e não ser pego, como ele é esperto!".
A última frase pode nos levar a uma outra pergunta: "Será que (por exemplo) não matamos alguém por que temos medo de ser capturados (punidos) ou por que isso vai contra meu prazer?". Não sou incentivando homicídios, longe disso, mas quem nunca, em um intenso momento de raiva, pensou em atacar alguém, agredir de uma forma bárbara ou até mesmo planejou (de brincadeirinha?) matar alguém e só desistiu da idéia por pensar nas consequências, em ser descoberto? Todos eu acho, nem que seja por pouquíssimos minutos. Mas ai é outra história...
Mas voltando ao assunto: o filme é muito bom, a trilha sonora está a altura, o enredo envolvente, e os atores não poderiam ter sido melhor escolhidos: Kevin Costner no papel do Sr. Brooks (excelente) e William Hurt como seu alter ego (pode se dizer assim) Marshall (cool). O resto é resto. Bons atores, mas só essas duas personagens me interessaram, por motivos ainda desconhecidos.
Assistam!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Elegia de um velho Escritor
Ao olhar para dentro de si,
lembrando de sua vida já muito gasta
Um velho tenta escrever um poema.
Lembra fatos, pessoas e paisagens
Tudo roda em sua mente, mas nada sai ao papel.
Horas se passam, dias talvez (como saber?)
E o velho mira o papel, sofrendo por não escrever.
Ele pensa que, caso pereça antes de cumprir seu propósito
Sua vida terá sido incompleta
Já amou mulheres, plantou árvores, o que resta é o poema
Mas nada lhe sai. Só o silêncio.
Esforça-se em pensar no que escrever:
Sua esposa falecida, seu filho médico, seu tempo na guerra,
Uma nova filosofia, um tratado sobre a paz mundial...
Ou quem sabe apenas a receita de seu doce de leite
(Seria uma pena, morrer sem passar o segredo).
Fecha os olhos. Viaja pelo mundo de seus pensamentos,
Nem mesmo suas memórias o ajudam, e sua aflição cresce.
Os netos e irmãos se preocupam: Já não come ou dorme!
Seus olhos fundos denunciam seu tempo.
E o velho sofre. Não tanto pelo poema
Mas pelos filhos e netos, que não entendem seu propósito.
Numa manhã, já a sol bem alto, a menina mais velha
Ao dormir na casa do avô, encontra-o já desfalecido
com o caneta já caída de sua mão inerte
e o pequeno caderno em seu colo,
com apenas uma frase, a primeira e última:
"Nada levo desta vida, mas o que deixar?"
Jardel Leite
domingo, 22 de agosto de 2010
Doce Rotina
Um jeitinho que me cativa,
a voz que me domina
O doce beijo que me conquista...
Do dilema ao primeiro beijo
E do meu silêncio fez-se o canto
Do pranto fez-se o riso.
O sorriso: um arauto do amor!
Noite, mãos dadas, arquibancada
Beijo, abraço e uma formiga no braço
O telefone, o lamento, a lua [Solitária...]
Nos braços de minha morena,
Nas curvas da mulher amada,
Um olhar... o desejo... o medo...
Do reencontro ao último beijo
De todas, és a única!
Para mim: só se for Daniella.
Jardel Leite
sábado, 21 de agosto de 2010
Epitáfio de Benjamin Franklin
Impressor (como a capa de um alfarrábio
sábado, 14 de agosto de 2010
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
"Manuel Bandeira"
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A Multiplicação da pobreza
"Tal como a religião não pode viver sem a morte, o capitalismo não só vive da pobreza como a multiplica."
domingo, 18 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
A Fazenda
Tudo mudara ali. O que teria acontecido àquelas grandes palmeiras em frente da casa grande? E os coqueiros, muitos, em tamanho e quantidade, que tanto agradavam a vista de todos? Aqueles coqueiros que ficavam lá atrás e sempre forneciam boa água aos netos, filhas, genros e noras que sempre visitavam o lugar nas férias ou feriados prolongados.
O que aconteceu ali? Não fazia nem dez anos que ele partira e tudo se deteriora de tal forma que é impossível não comparar o passado com o presente, não sem ao menos derramar uma lágrima de saudade e pesar.
Assim é a vida: quando uns nos deixam, outros assumem como deve ser a ordem natural das coisas. Mas o que entristece não é isso. O que se deteriora não é só o lugar, melhorado em alguns pontos e esquecido em outros, e sim, nossa memória. Quem não se lembra dos maravilhosos banhos de cachoeira e/ou açude com toda a família reunida. Fotos, brincadeiras, bóias (enormes câmaras de ar de algum caminhão ou trator da fazenda). Hoje as coisas mudaram. O açude continua ali. As câmaras de ar também. Mas falta algo. O que será?
A dispensa, antes farta, hoje falta quase tudo. Onde estarão todas aquelas frutas que agradavam não só o paladar, mas também nossa vista? Uma jarra de suco diferente no café da manhã e outro no almoço. E já falando em frutas... O pé de sirigüela, do lado do galinheiro, onde eu já subi tantas vezes acompanhando meus primos, mesmo tendo um medo enorme de cair de lá.
Hoje até os peixes, enormes carás que sobravam o suficiente até para os visitantes levarem uns pra casa, parecem ter notado a diferença: por algum motivo eles sumiram: não os vejo e nem ouço falar. Pra onde foram? Na certa continuam em minha memória, onde meu avô retirava as espinhas para mim, quando eu era muito pequeno. Privilégio só dado a mim, despertando uma leve indignação nos outros primos. Sempre disseram que fui o favorito, sendo isso verdade ou não, isso não importa agora. O que importam são as lembranças daqueles tempos onde não havia diferenças e todos se sentiam bem em estar com todos.
Sempre que vou pra lá é impossível não se lembrar dos que já foram: Meu avô, em sua rede, ouvindo seu radinho de pilha, logo depois do almoço. “Façam silêncio e saiam daí! Seu avô está tentando dormir”, dizia minha avó. E mesmo agora lembrando a situação e admitindo, hoje, que realmente fazíamos barulho enquanto ele dormia, meu avô nunca se levantou da rede e brigou conosco.
Ou no final da tarde, antes de escurecer, quando ele pedia minha ajuda com umas enormes mangueiras, onde depois de aguar algumas plantas (não sei nem se elas ainda existem, provavelmente não) nós dobrávamos as mangueiras de um modo muito dele: cada um segurava a mangueira em uma das extremidades e depois caminhávamos em direção um ao outro, em seguida um de nós segurava as pontas enquanto o outro segurava o lado com a dobra, afastando-se e repetindo o processo até a mangueira ficasse com um comprimento e que pudesse ser colocada no canto da calçada, sem ocupar muito espaço.
As bananadas dele eram fabulosas. Confesso que hoje em dia ao fazer minha bananada todas às manhãs antes de ir trabalhar, é nele que me inspiro: “Como é que o vô Franci fazia? Uma banana, duas colheres de farinha láctea, uma de Neston, Leite em pó...” Pena que nunca consigo acertar o ponto. Se na época soubesse o quanto ia sentir falta dessa bananada certamente teria anotado a receita!
Lembranças também do meu pai: na garagem da caminhonete, onde ele me ensinou a andar de bicicleta; No alpendre da frente do terreiro, em frente sua casinha, assoprando as casquinhas de alpiste da comida de seus muitos passarinhos (vale lembrar que, eu sendo seu filho, como “herdeiro natural”, nem sequer fiquei sabendo que fim levou os bichinhos. Soltos ou vendidos? Por quem? Não deveriam ter ao menos perguntado algo a mim? Talvez não, afinal, para todos, eu nem ligava pro meu pai, o que nada mais foge da verdade: Amava meu pai, apesar de tudo).
Lembro também que nas noites de chuva forte ele gostava muito que eu ou meu irmão dormíssemos com ele, cada numa rede, sentindo os pinguinhos de chuva caírem de leve do tosco telhado. E como não lembrar o som que ele fazia ao bater os dedos no peito acompanhado de um assobio, com uma musiquinha que tento me lembrar da melodia com detalhes, mas não consigo. Seria exigir demais da minha memória.
Meu tio, que também nos deixou, com sua enorme barriga e seu umbigo pra fora, onde sempre deixava nossas bocas abertas: “Olha só o tamanho do umbigo do tio Istênio!”. Fácil lembrar também quando saia pra trabalhar, fiscalizar os trabalhadores no corte da cana: meu tio sempre levava consigo uma barrinha, parecida com um tijolinho, de rapadura e uma garrafa “pet” com água congelada.
A fava que ele sempre trazia... Hum... Bons tempos aqueles!
Mas hoje, as coisas mudaram. Nada mais lá é como antigamente. O local onde meu avô guardava os “ingredientes da famosa bananada” hoje está abandonado, tomado por baratas. Da última vez que visitei a antiga casinha do meu pai, o lugar agora tinha se tornado um depósito de velharias, com enormes tonéis com milho, óleo diesel, ou coisas do gênero. Fico triste ao passar por lá, é inevitável.
Mas às vezes me pergunto por que as coisas tinham que ter caminhado assim. Quando meu avô morreu, as coisas pioraram e isso é verdade. Mas já se passaram dez anos, não tinha como as coisas já terem melhorado? Sim, por que a área de corte de cana continua a mesma, ou seja, a renda proveniente de lá provavelmente continua a mesma, do tempo do meu avô. Nem houve nenhuma grande seca ou grande inundação, pra destruir tudo. É estranho, eu queria entender! Talvez se eu a olhasse com os olhos do atual administrador obteria uma resposta. Ou pior: Não gostaria da resposta encontrada!
Mas não quero entrar em detalhes desse tipo, isso me revoltaria cada vez mais e não quero macular a imagem que eu tenho do lugar com esse tipo de pensamentos. Fico mais triste em pensar que meus filhos talvez não vejam o que eu vivi. Esse texto está me lembrando o romance de José Lins do Rego: Menino de Engenho.
Mas uma coisa eu sei: Quando minha avó for também, as coisas lá vão melhorar! Lugares antes esquecidos serão lembrados: onde há anos o mato tomou conta, serão capinados; o pequeno pomar abandonado será reativado; o galinheiro voltará a ter sua área bem definida; uma pintura geral na casa será feita; e talvez quem sabe, até aquelas grandes palmeiras voltem a aparecer!
Jardel Leite









